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Fevereiro 16 2009


 

 

O jornal “O Vianense” foi ao encontro do cantor e poeta popular Augusto Canário, residente em Vila Nova de Anha, dinamizador das ”Concertinas e Cantares ao Desafio”. Muito querido do público alto-minhoto e não só, tendo a cidade de Viana do Castelo como centro dinamizador da sua apreciada actividade artística em conjunto com os restantes intérpretes que constituem aquele conceituado grupo musical. Augusto Canário, um homem que fez e faz da música e dos cantares tradicionais o melhor da sua vocação e actividade artística, às quais junta o tom brejeiro dos seus versos, tão do agrado do publico, especialmente do Minho, atendeu noscom a gentileza que lhe é habitual, dizendo-nos o que a seguir transcrevemos. Eis o extracto da nossa entrevista:

“O Vianense”:
-Bom dia, gostaria primeiramente de agradecer ao Augusto Canário por nos conceder esta entrevista.
Augusto Canário: -Muito bom dia. Eu é que agradeço as suas palavras simpáticas. Gostaria de dizer que, para a comunicação social, estou sempre disponível, especialmente para aquela que divulga e dá destaque às questões relacionadas com a tradição popular.

O.V.: -As suas músicas são Viras, Chulas, Desgarradas, Cantares ao Desafio, Músicas do Minho. Não esquece a suas raízes e tem orgulho delas, estou certa?
Augusto Canário: -As músicas que tocamos têm duas origens: populares tradicionais, já existentes; melodias e cantigas que eu próprio componho. Apesar desta origem diferente, têm em comum a característica fundamental de serem de natureza popular/tradiconal. Nesse sentido, são chulas, viras, desgarradas e marchinhas populares. Como sofremos muitas influências do que vamos ouvindo (eu oiço muitos tipos de música) acabamos por fazer algumas incursões por outros ritmos e sonoridades que nos satisfazem e que conferem ao nosso trabalho uma nota de inovação.

O.V.: -“Augusto Canário e Amigos - Ao vivo na Quinta do Santoínho”, é um DVD e CD, que foi gravado na Quinta do Santoinho em Viana do Castelo, no mês de Março 2008. Porquê
na Quinta do Santoinho?
Augusto Canário:-Foi gravado no dia 16 de Fevereiro de 2008. Uma das minhas características pessoais é a persistência. Quando quero alguma coisa, dentro das minhas possibilidades, luto por ela. Assim, em 2006, lembrei-me planificar, gravar e editar as expensas próprias um CD+DVD, gravado ao vivo no nosso conhecido Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo. Correu muito bem, foi um trabalho muito bem recebido, de tal modo que, uma editora de nível nacional – a ESPACIAL – agarrou esse trabalho e lançou-o no mercado discográfico nacional, atingindo o galardão de Disco de Ouro.
Foi o disco “É UMA FESTA”. Não descansei à “sombra” deste sucesso e, imediatamente, comecei a pensar noutras hipótese de trabalhos. Assim, ocorreu-me que a Quinta do Santoinho, um ex-libris do turismo da nossa região (e até do país), enquanto espaço maravilhoso para a realização de arraiais minhoto, seria um óptimo palco para a montagem de um espectáculo, para a edição de um novo DVD. Falei com o Sr. Valdemar Cunha, proprietário do Espaço e ele achou que seria uma excelente ideia.
Com o apoio de várias pessoas e entidades, de que destaco a VIANAFESTAS, fomos preparando tudo detalhadamente, e no dia 16 de Fevereiro de 2008, realizamos um espectáculo muito bonito, numa noite completamente mágica e inesquecível para mim, para os meus amigos e, especialmente, para quem esteve na Quinta de Santoinho.A edição do DVD deu-se em Maio de 2008 e em duas semanas atingiu o galardão de Disco de Platina. Além disso permanecemos no TOP Nacional de Vendas durante 35 semanas.Muito gratificantes todas estas situações.

O.V.:
-Foi uma noite muita animada, com muito sucesso. Estava à espera desse resultado?
Augusto Canário : -Repito que foi uma “noite mágica”. Algo de muito forte e de muito especial aconteceu naquela noite no Santoinho.
Eu não sou um homem muito supersticioso, tampouco acredito em “fantasias espirituais”, chamemos-lhe assim. Mas naquela noite, algo de muito especial aconteceu. O espectáculo decorreu num ritmo perfeito, com grande participação do público. No final, enquanto saíam, notava-se uma alegria no rosto das pessoas, nas manifestações de carinho e de regozijo por parte de grande parte dos que assistiram ao espectáculo. Ainda hoje se fala no assunto com nostalgia, como se já tivessem passados anos.

O.V.: -Sabendo que o publico aqui do Minho e não só, tem por Augusto Canário e Amigos uma carinho muito grande, o que sente?
Augusto Canário: -Antes de mais, sinto uma grande alegria. Sabe, quando se ama o que se faz, e aquilo que vamos fazendo agrada às pessoas e contribui para que as pessoas se sintam mais alegres, mais felizes, para além de se sentir alegria, somos invadidos por um sentimento de felicidade, por contribuir com coisas simples para a felicidade dos outros.
Mais que orgulho ou vaidade, mais que uma auto-estima elevada, sente-se alegria e felicidade. Mas atenção, todo este reconhecimento por parte das pessoas, também aumenta a nossa responsabilidade e o nosso dever de não defraudar o público, naquilo que vamos fazendo.

O.V.: -Deseja falar-nos do seu mais recente trabalho “Cantigas, Cantorias e Outras Folias”?
Augusto Canário: -Sim. Trata-se de um trabalho que custou muito fazer e que foi preparado em pouco tempo, para o que seria desejável.Tem um reportório quase todo novo, com cantigas de minha autoria (excepto as desgarradas – improvisadas na hora).
Os músicos meus amigos, a participação do Grupo das Cantadeiras das Terras do Vale do Neiva, dos meus amigos Galegos – Luís Carunxo, Benito, Pilar – e alguns tocadores de concertina, conferiram a este trabalho uma qualidade ainda maior. Outras pessoas participaram especialmente – a Paty, com o seu acordeão, a Charléne Viana, com a sua concertina, os pares de “dançadores” do folclore do Minho (Xana, Conceição, Carlos Costa e José Filgueiras, também acrescentaram mais valias a este disco.Enfim, todo o trabalho técnico, de som e luz (a empresa CLAVICHORD, de Braga, e a Equipa de gravação “Estúdios CASA DE TOLOS”, da Galiza), foi outra marca de qualidade deixada neste DVD. Por fim, sem a disponibilidade da Gerência e do pessoal da Quinta de Santoinho, sem o apoio da VIANAFESTAS e do pessoal das oficinas da Câmara Municipal de Viana do Castelo, não seria possível realizar este trabalho.O resultado foi o que se sabe,
e o futuro dá-nos excelentes perspectivas.

O.V.: -Já cantaram além fronteiras? Quais os países?
Augusto Canário: -Sim.Temos viajado bastante. Normalmente actuamos para os portugueses da Diáspora. Canadá, Estados Unidos da América, França, Suiça, Luxemburgo, são os países que mais visitamos. Mas outros
se perfilam para um futuro próximo.

O.V.: -Apreciamos ouvir as suas músicas e composições à desgarrada, mas gostaríamos de saber se as músicas à desgarrada são previamente ensaiadas ou instantaneamente improvisadas ?
Augusto Canário: -O “cantar ao desafio” ou “cantar à desgarrada” de improviso nunca é previamente ensaiado. Acontece que, cada cantador ou cantadeira, tem a sua “sabedoria” e no momento de cantar, usa tudo o que sabe, conforme a inspiração, a réplica do “adversário”, o ambiente, etc. De tantas vezes se encontrarem a cantar, é natural que haja repetições de ideias, de frases, que façam pensar que há “ensaio prévio”. Mas na verdade, não há. As desgarradas gravadas em CD, são quase todas previamente escritas, de modo a que contem uma história com princípio, meio e fim. Mas muitas vezes resultam de improvisos engraçados que acontecem e que ficam na memória, sendo depois escritas.

 

O.V.: -Foi o padrinho do lançamento do primeiro CD da fadista Elsa Gomes, uma jovem com um futuro muito prometedor. Pode descrever-nos o sentimento de ter ajudado a Elsa a tornar realidade o seu sonho, gravar o seu primeiro CD?
Augusto Canário: -A minha ajuda foi muito pouca, porventura determinante, para a edição deste disco da minha querida amiga “afilhada” Elsa Gomes. Um dia, o Sr. Adriano, pai da Elsa, confidenciou-me que a filha gostaria de gravar um CD, com uns fados. Eu prontifiquei-me a ajudar, pondo-o em cantacto com um amigo meu, de longa data, o Júlio Viana, que para além de editor, é músico. Acertaram tudo, e quando se deu por ela, estava criado um grupo de trabalho para gravar o CD da Elsa, num formato ideal para cantar o Fado – guitarra, viola e baixo.O trabalho de todos e o talento de Elsa fizeram o resto. O resultado é muito bom. A sensação que tive na altura e que vai crescendo com o tempo, cada vez que oiço a Elsa Gomes cantar, é de imensa alegria e grande prazer, por ter colaborado, minimamente, para a concretização deste “Primeiro Sonho” da Elsa.

O.V.:
-9 de Junho, “Viana Canta Portugal”com Augusto Canário e Elsa Gomes. Cantaram para o Presidente da República. O que sentiu?
Augusto Canário: -Antes de dizer o que senti naquele evento, devo dizer que é sempre uma honra enorme ser convidado e participar em actividades em representação de Viana do Castelo. Nessa medida, senti um orgulho muito grande. Quando se trata de eventos da dimensão das Celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com a presença do Sr. Presidente da República e demais autoridades, o orgulho e o prazer são redobrados.Tendo por companhia a Elsa Gomes, o Francisco (grande guitarrista), a Orquestra Popular de Cordas de Outeiro e os meus amigos, sente-se uma satisfação imensa.

O.V.: -Novos trabalhos, projectos para o futuro?
Augusto Canário: -Sim. Temos muito trabalho pela frente. Para além de muitos espectáculos para este ano de 2009, estamos a concluir a gravação de dois novos CD’s. Um com um reportório muito específico, dedicado a temas “com fundamento” de cariz religioso.Outro com um reportório de cariz profano, dedicado a desgarradas e outras cantigas, na linha dos trabalhos anteriores. No dia 7 e 8 de Abril de 2009, realizaremos dois espectáculos no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo, para gravação ao vivo e edição em novo DVD.

O.V.: -A nossa entrevista chegou ao fim.O jornal “O Vianense” agradece a paciência e a gentileza com que respondeu às nossas perguntas.
Mais uma vez, muito obrigada.
Augusto Canário: -Mais uma vez, eu é que agradeço a oportunidade de divulgar o meu trabalho. Aproveito para desejar as maiores venturas ao Jornal “O Vianense”, e a todos os seus leitores.

                                                    

Augusto Canário - entrevistado
Fátima Rosa Rodrigues -
entrevistadora


Por: Fátima Rosa Rodrigues
Extraída  do jornal "O VIANENSE" 

publicado por Fátima Rosa Rodrigues às 17:12

Extraídos do jornal "O VIANENSE" www.jornalovianense.com
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